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Consumo das famílias teve redução em julho

As famílias paulistanas estão menos propensas a consumir em julho, segundo dados da Intenção de Consumo das Famílias (ICF) da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio). O índice registrou queda de 0,7% na comparação com junho e chegou aos 136,3 pontos, mantendo-se, entretanto num patamar de satisfação (o indicador varia de 0 a 200 pontos sendo abaixo de 100 considerado um patamar de insatisfação e acima desta pontuação, patamar de satisfação das famílias paulistanas).

Segundo o assessor econômico da Fecomercio, Guilherme Dietze, o motivo para a leve queda no mês se deve ao nível geral de preços estar acima do que era previsto, o que impacta o poder de compra das famílias. “As famílias com renda inferior a 10 SM, principalmente, são as que mais sentem as consequências da inflação no orçamento doméstico.”

Quando comparadas, as duas faixas de renda apresentam resultados opostos. Ao contrário do ocorrido em junho, neste mês as famílias que ganham até 10 SM (134,8 pontos) tiveram sua avaliação reduzida em 1,3%, enquanto as famílias com renda acima de 10 SM (145 pontos) melhoraram em 1,8%. De qualquer maneira, todas as famílias ainda estão no patamar considerado de “satisfação” sobre as condições financeiras.

Renda atual, consumo atual e perspectiva de consumo - No item renda atual, o resultado foi 3% inferior a junho e chegou a 156,8 pontos, sendo que as famílias com renda abaixo de 10 SM tiveram queda de 3,2%, enquanto as famílias com mais de 10 S.M registraram redução de 1,6%. “Com essa redução no poder de compra, diminuiu também a intenção a consumir”, destaca Dietze. Tanto o item nível de consumo atual (106,8 pontos) e perspectiva de consumo (138,0 pontos) apresentaram quedas. O primeiro registrou redução de 3% e o segundo de 3,2%.

Impacto da Selic - O aumento da Selic nas últimas reuniões do Copom e a elevação da taxa de juro para a Pessoa Física parecem não ter impactado as famílias. Isso porque o item acesso a crédito (159 pontos) registrou variação positiva de 2,2%, ou seja, mostra ainda uma facilidade na obtenção de crédito. Como os outros itens, também houve divergência entre as faixas de renda. As famílias com renda abaixo de 10 S.M tiveram elevação de 2,5% nesse item, enquanto as famílias com mais de 10 SM tiveram redução de 1,1%.

Impacto da inflação - O economista destaca que o impacto da inflação na renda das famílias que ganham menos de 10 SM, tende a direcionar os gastos destas famílias por meio da aquisição de créditos para os bens de consumo mais básico. Isso pode ser facilmente demonstrado pelo item momento para duráveis (133 pontos) que caiu 1,1% para essa faixa de renda e 0,4% no geral de julho.

Por outro lado houve uma melhora na avaliação das famílias com renda acima de 10 SM em 1%. “Isso se deve a aquisição de bens de valor agregado alto principalmente em decorrência da Copa do Mundo”, explica Dietze.

Emprego e perspectiva profissional - Entre os demais itens que compõem o ICF, emprego atual (137,9 pontos) apresentou queda de 1,9% e o item perspectiva profissional (122,6 pontos) registrou alta de 4,6%.

Houve nos dois casos uma forte recuperação da confiança das famílias com renda acima de 10 SM, que no mês passado estavam receosas sobre possíveis impactos de uma iminente crise na Europa sobre seus empregos. Pode-se dizer, portanto, que com o impacto da inflação no poder de compra das famílias com renda mais baixa, acabam por deixarem elas mais receosas na perda de seu emprego para não deixar afetar o orçamento doméstico.

Acima da fronteira - O economista destaca que apesar das diversas quedas registradas em julho, o ICF não demonstra preocupação e nem uma tendência de queda. “O patamar do índice geral ainda está muito acima da fronteira, ou seja, as famílias continuam satisfeitas com suas condições financeiras”, finaliza.


Fonte: Fecomercio
Data: 26/07/2010
 

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