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Alta da Selic ainda não segurou crédito

Silvia Penteado*

E o crédito continua crescendo no Brasil, apesar do movimento de alta dos juros básicos iniciado pelo BC em abril. Os últimos dados indicam Foto: Silvia Penteadouma elevação de 2% do volume de crédito no País em junho sobre maio e 19,7% em relação ao mesmo mês de 2009.

No primeiro semestre, a alta somou 8%, o que deixa o volume de empréstimos próximo dos 46% do PIB, o maior percentual na história do País. A expectativa do BC é que chegue a 48% até o fim do ano, 20% acima do resultado de 2009. Para quem não se lembra, em dezembro de 2006, o crédito representava 30,7% do PIB brasileiro e, em janeiro de 2008, equivalia a 34,7% do PIB.

Mas o nível atual, de cerca de 46% do PIB, é alto?

Não se se considerar o nível de crédito nos países desenvolvidos, mesmo com a seca que se abateu sobre a disponibilidade de dinheiro após a recente crise econômica mundial. Mas pode-se considerar esse um percentual razoável se se levar em conta que durante muitos anos o Brasil não conseguia ultrapassar a faixa dos 20%. Uma conseqüência natural da instabilidade econômica, da inflação e dos juros estratosféricos com que o brasileiro era obrigado a conviver.

É certo que ainda hoje, os juros para pessoa física continuam pouco amigáveis, mas estão mais baixos do que nunca. Em junho, segundo dados do BC, a taxa média para a pessoa física ficou em torno dos 40% ao ano, seu nível mais baixo desde que a taxa começou a ser computada oficialmente, em 1994. A do empréstimo consignado registrou 27%. Em compensação, a taxa média do cheque especial ainda está batendo nos 165% ao ano, acumulando uma alta de seis pontos percentuais desde o início do ano.

Ante esses números, a questão que se coloca é: as elevações da Selic não estão surtindo o efeito desejado? No BC, os mais otimistas acreditam que é preciso dar tempo ao tempo. A acomodação no crescimento do crédito virá, mais cedo ou mais tarde.


*Silvia Penteado é jornalista, especializada em econômia e mercado. Colaborou com os jornais Diário Popular, Diário de S.Paulo e O Estado de S.Paulo.


Fonte: Silvia Penteado
Data: 29/07/2010
 

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