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Economia internacional patina...

Silvia Penteado*

Embora não se possa descartar uma surpresa, hoje, o risco de que haja uma nova crise aguda da economia mundial é pequeno. Foto: Silvia PenteadoO problema é que os ajustes exigidos para manter um equilíbrio ainda frágil afastam quase todas as possibilidades de uma retomada consistente do crescimento. E isso está explícito no desempenho das economias no primeiro semestre deste ano.

Na Europa, por exemplo, embora os analistas acreditem que o PIB da região deve aumentar mesmo que gradualmente –a Comissão Européia prevê um crescimento de 1% em 2010, 0,25% mais do que tinha previsto no outono– a recuperação tem se demonstrado menos estável do que em crises anteriores. Pior.

A medida drástica tomada esta semana por vários países da UE acrescentou ainda mais instabilidade ao processo. Os cinco maiores países da União Europeia (Alemanha, França, Grã-Bretanha, Espanha e Itália) vão cortar 375 bilhões de euros em gastos públicos para tentar reduzir seus elevados déficits. Necessária para reduzir as instabilidades, essa medida pode afetar fortemente as já tímidas perspectivas de retomada do crescimento econômico no continente.

Nos EUA, tantos os dados do mercado imobiliário quanto os balanços corporativos divulgados esta semana vieram abaixo do previsto pelos analistas. O índice NAHB que mede a confiança dos construtores caiu em julho, atingindo o menor resultado desde abril de 2009. Efeito direto da retirada do crédito ao primeiro comprador, um incentivo dado pelo governo que terminou em abril.

É certo que a produção industrial registrou alta de 8,2% em junho na comparação com maio, mas as atividades industriais já dão sinal, nos indicadores de julho, de alguma desaceleração. Não faz muito, o Federal Reserve sentiu o golpe e rebaixou suas perspectivas de crescimento da economia americana neste ano para algo entre 3% e 3,5%, dois décimos a menos do calculado em abril.

Na China, cuja economia vem mantendo o crescimento mundial, as medidas de aperto do setor imobiliário e do investimento tomadas pelo governo chinês começaram a surtir efeito: a expansão do PIB caiu dos 11,5% nos últimos trimestres para 10,3% no segundo trimestre. Ainda acima da meta definida pelo governo chinês de chegar ao fim do ano com 8% de crescimento, mas nem o Fundo Monetário Internacional (FMI) acredita nisso: estima que o crescimento chinês feche o ano com alta de 10,5%. Um nível de crescimento que levará a China ao posto de segunda maior economia do mundo após os Estados Unidos.

Mas o que tudo isso significa para a economia brasileira? Mantido o atual cenário –surpresas ruins ainda não estão totalmente descartadas–, os efeitos seriam modestos. À parte uma redução no comportamento das exportações, “o risco de surpresas negativas no tocante ao crescimento mundial, em especial EUA e China, pode ajudar na convergência da inflação à meta no ano de 2011 e, portanto, afetar as próximas decisões de política monetária”, avalia Maristella Ansanelli, do Banco Fibra.


*Silvia Penteado é jornalista, especializada em econômia e mercado. Colaborou com os jornais Diário Popular, Diário de S.Paulo e O Estado de S.Paulo.


Fonte: Silvia Penteado
Data: 22/07/2010
 

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