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O reflexo da redução do IPI

Silvia Penteado*

O brasileiro foi às compras para aproveitar a redução do IPI nos automóveis e nos eletrodomésticos, incentivado pelo crédito farto e pelo emprego em alta. Foto: Silvia PenteadoResultado: endividou-se mais do que podia, atrasou algumas prestações e foi obrigado a fazer uma pausa. Pelo menos é isso o que se espera que tenha acontecido no segundo trimestre de 2010, que deve registrar uma queda em torno de 1% nas vendas do varejo.

Em maio, elas cresceram 1,4%, insuficiente para compensar a queda de 3% em abril. Também deve haver queda no crescimento da produção industrial. A expectativa de Octavio de Barros, do Bradesco, é que o crescimento fique em torno de 1,5%, bem abaixo da média de 4,1% que o setor vinha registrando no período pós-crise.

Outro sintoma da ressaca consumista do brasileiro no segundo trimestre do ano foi a queda de 10,2% na demanda do consumidor por crédito em junho com relação a maio, segundo números da Serasa Experian. Ou ainda a piora do índice de inadimplência que registrou crescimento de 5,2% no mês, em comparação com junho de 2009, também segundo a Serasa Experian. Segunda alta consecutiva, depois de ter apresentado queda de outubro de 2009 a abril deste ano, puxada, principalmente, pela inadimplência com cartões de crédito e financeiras (+7,0%).

Embora esses dados não sejam tão ruins, eles vieram bem piores do que o esperado e por isso fizeram acender o sinal de alerta entre os analistas. Na pesquisa Focus divulgada na segunda-feira (12.07), a mediana das projeções para o PIB de 2010 se manteve em 7,20%, mas a média caiu, mesmo que de forma bem ligeira: de 7,21% para 7,19%. O mesmo aconteceu com as projeções para a produção industrial, em que a mediana permaneceu em 11,91%, enquanto a média caiu de 11,78% para 11,77%.

De todo modo, esses resultados continuam em linha com as expectativas de dez entre dez economistas de uma desaceleração da economia em geral e das vendas do comércio em particular, em relação ao ritmo do início do ano. Quanto à inadimplência, esperam-se novas altas nos próximos meses por conta do endividamento maior e a continuidade do aperto monetário promovido pelo Copom. Se o nível atual de inadimplência está alto ou não ficou bem mais difícil de avaliar porque o Brasil nunca teve um nível de crédito como o atual, batendo em mais de 45% do PIB.


*Silvia Penteado é jornalista, especializada em econômia e mercado. Colaborou com os jornais Diário Popular, Diário de S.Paulo e O Estado de S.Paulo.


Fonte: Silvia Penteado
Data: 15/07/2010
 

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