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Inflação na Europa e alta do preço do petróleo

sinalizam cautela para investimentos globais

Celso Grisi*

Os movimentos globais mercadológicos indicam que o melhor é ser cauteloso e esperar. Na Europa, a inflação ao consumidor na zona do euro continua a crescer. Legenda: Celso Grisi | Foto: divulgaçãoEm maio, o avanço dos preços foi de 1,6%. No mês anterior foi de 1,5%. Em meio a uma crise de proporções tão grandes era de se esperar por comportamento da inflação bem diferente.

É preciso reduzir a liquidez excessiva. Aliás, o bom desempenho na captação de recursos da Espanha, Irlanda e Bélgica, no leilão de bônus, comprova esse excesso de liquidez e também aponta para um certo convencimento de que as dívidas desses países já estariam sendo objeto de um encaminhamento correto.

Nos Estados Unidos, o índice de construção de residências caiu, em maio, cerca de 10% em relação a abril. As licenças para novas construções registram duas quedas sucessivas. Em abril, redução de 10,9% e de 5,9% em maio. Em outras palavras, os dois indicadores deixam a impressão de que o setor está baleado mesmo e que sua recuperação não deve ser esperada no curto prazo.

O americano está apresentando um comportamento mais para o japonês, aprendendo a poupar mais e a se endividar menos. No tocante à produção industrial, a notícia é animadora. Cresceu 1,2% em maio, quando comparado ao mês anterior. Essa expansão levanta expectativas positivas sobre o mercado de trabalho e dá força aos argumentos relacionados à consistência da recuperação da economia americana.

Agora, o que deu impulso às convicções sobre o crescimento econômico dos Estados Unidos foi a estimativa de que a utilização da capacidade instalada da indústria foi ampliada para 74,7% em maio. Aliás, o custo das matérias primas está em alta, no mundo.

No Brasil, a taxa Selic tem falado alto. As medidas de inflação dão conta do arrefecimento dos preços e o fluxo de capitais estrangeiros segue à busca dos elevados juros pagos em reais. Investidores estrangeiros esperam pela abertura de capital de empresas brasileiras.

O petróleo continua a subir. Na verdade, a alta é mais consequência da queda de produção das refinarias nos Estados Unidos. O barril de petróleo do tipo WTI, com vencimento em julho, cresceu 0,9% para US$ 77,64 na Bolsa de Mercadorias de Nova York. Em Londres, o barril do tipo Brent, com vencimento em julho, aumentou 1,4%, cotado a US$ 78,15.

Começamos a nos aproximar dos US$ 80 o barril e, exatamente, em um dia em que o dólar valorizou-se em relação às demais moedas fortes. Quando o dólar sobe o risco das commodities aumenta e seus preços, obedientes a isso, caem. Não deu o esperado, ao contrário o preço do petróleo continuou a subir. Há, portanto, entre os investidores, uma crença no aumento do consumo dessas commodities que só pode decorrer da certeza em uma recuperação econômica mais rápida em nível mundial.


*Celso Cláudio de Hildebrand e Grisi é professor da USP e diretor-presidente do Instituto de Pesquisas Fractal.


Fonte: Instituto de Pesquisas Fractal
Data: 06/07/2010
 

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